Advogada nega contratação de detetive: Defesa explica que localização de veículo ocorria por rastreador obrigatório de seguradora.
Casal esteve junto em Franca (SP) negociando veículo zero-quilômetro de R$ 109 mil dias antes do crime, segundo a advogada.
Imagens da Guarda Civil Municipal (GCM) mostram que neto do pecuarista ajudou a socorrer a vítima e descartam presença de capangas.
Defesa afirma que Bolelli era diabético e cardíaco, não tinha marcas de violência e provavelmente sofreu infarto no próprio dia dos fatos.
A defesa da família do pecuarista João Roberto Bolelli, de 62 anos, que matou a empresária Priscila Lacerda Custodio, de 24 anos, e foi encontrado morto nesta segunda-feira (2), em Rifaina (SP), contestou alegações feitas por familiares e pelo namorado da vítima.
Em entrevista à EPTV, afiliada da TV Globo, a advogada Lauriane Baldini França afirmou que não existia monitoramento por detetive particular nem a presença de "capangas" no local do crime.
Ela também afirmou que o casal esteve junto em Franca (SP) dias antes do encontro que resultou na morte de Priscila negociando a compra de um carro e sustentou que o pecuarista sofreu um infarto no mesmo dia dos fatos.
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"Questionamos a tragédia, que foi uma grande tragédia, e todas as inverdades que estão sendo faladas", declarou.
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Rastreamento por seguro e visita a concessionária
Contrariando relatos de que Bolelli teria contratado um detetive para vigiar a empresária, a advogada argumentou que o acompanhamento do veículo era feito unicamente pelo dispositivo de segurança do automóvel.
"Não existe detetive. Existe o rastreador da caminhonete, obrigatório pela seguradora", explicou Lauriane.
Segundo ela, foi por meio desse rastreador, vinculado ao celular de um dos netos do pecuarista, que a família confirmou que Priscila e Bolelli viajaram juntos na quinta-feira anterior ao crime e permaneceram até sexta-feira em Franca (SP).
Na ocasião, de acordo com a advogada, os dois foram registrados em uma concessionária da cidade negociando um automóvel zero-quilômetro.
"Na sexta-feira, tem filmagem deles comprando um veículo de R$ 109 mil. Não finalizaram a compra, mas o seu João voltou lá na segunda", afirmou a advogada, acrescentando que a empresa exigiu ofício judicial para disponibilizar as imagens do casal.
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Socorro prestado por neto
Outro ponto rebatido pela defesa refere-se à dinâmica dos fato, na entrada de uma propriedade rural no quilômetro 463 da Rodovia Cândido Portinari (SP-334). Testemunhas ouvidas inicialmente pela Polícia Civil relataram a presença de homens acompanhando o pecuarista.
Lauriane afirmou que imagens de câmeras de segurança da Guarda Civil Municipal de Rifaina comprovam a presença apenas dos veículos diretamente envolvidos e desmentem a versão de homens contratados como "capangas".
De acordo com a advogada, o socorro à jovem foi prestado por um neto do pecuarista, que a colocou no veículo e a levou à unidade de saúde de Rifaina acompanhado do irmão da vítima.
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"Tem a câmera de filmagem da GCM, que prova que os carros envolvidos eram o carro que estava a amiga dela, a caminhonete, o Corolla branco que o seu João chegou, e o carro do neto do seu João, que é o carro que socorreu a Priscila", afirmou a defensora.
Sobre a morte de João Roberto Bolelli, confirmada nesta segunda-feira (2) com a localização do corpo em uma área perto de onde a caminhonete havia sido abandonada, a defesa informou que os exames preliminares e o estado do corpo indicam morte por parada cardíaca ocorrida ainda na noite de terça-feira (27).
"Ele era portador de diabetes, tomava insulina três vezes ao dia, fazia tratamento de coração. Pela pré-conversa com a perícia e com a GCM, foi um infarto. E provavelmente no dia dos fatos. Nada de morte violenta", ressaltou Lauriane, acrescentando que nenhuma arma foi localizada no local.
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Feminicídio em Rifaina
Priscila Lacerda Custodio, de 24 anos, era natural de Perdizes (MG), onde mantinha uma empresa de marketing digital. Ela viveu um relacionamento casual de cerca de quatro meses com João Roberto Bolelli, pecuarista conhecido no setor agropecuário por ser proprietário de uma vaca da raça holandesa premiada nacionalmente.
Na noite de 27 de outubro, Priscila viajou cerca de 100 km até Rifaina acompanhada do irmão e de uma amiga para devolver uma caminhonete pertencente a Bolelli. Segundo os depoimentos do irmão e da amiga à Polícia Civil, a jovem vinha sofrendo ameaças e agressões anteriores e desejava encerrar definitivamente a relação.
Na entrada da propriedade rural, após uma discussão por causa de aparelhos celulares e acusações de ciúmes, ocorreu o disparo contra a jovem no abdômen. Priscila foi levada ao hospital de Rifaina, mas não resistiu.
No dia seguinte ao fato, a Justiça de Pedregulho (SP) decretou a prisão preventiva de João Roberto Bolelli, destacando seu histórico judicial por violência doméstica e descumprimento de medidas protetivas contra uma ex-companheira em 2018 e 2021. Desde então, ele era considerado foragido até ter o corpo encontrado nesta segunda-feira.
Com a confirmação da morte do único suspeito, o inquérito instaurado pela Polícia Civil de Rifaina para apurar o caso deve caminhar para o encerramento.
A Polícia Civil e o Ministério Público aguardam os laudos periciais e a conclusão das oitivas para formalizar o relatório final.
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