Daqui a uma semana, são os americanos que vão às urnas eleger deputados e senadores. Donald Trump deu a entender que só vai respeitar o resultado da votação se o partido dele, o Republicano, ganhar. Com a popularidade em baixa, Trump pode perder a maioria no Congresso. Nesta terça-feira (27), o Jornal Nacional começa a exibir uma série especial sobre essa eleição histórica.
"Nós estamos falando diretamente dos corredores onde ficam os gabinetes dos parlamentares no Congresso americano. Eu queria começar a nossa conversa mostrando para vocês como está a situação aqui agora antes da eleição. E vou começar pelo Senado, onde Donald Trump tem a maioria: 53 dos 100 senadores. Desse total, 35 cadeiras vão estar em disputa nessa eleição. Vamos agora dar uma olhada em como está a situação na Câmara. Por lá, Trump também tem a maioria: 218 deputados do total de 435. Agora, no caso da Câmara, todas as cadeiras vão estar em disputa. O fato é que essa maioria nas duas casas, mesmo que apertada, possibilitou a Trump governar praticamente sem enfrentar resistência no Congresso e a tomar decisões que atingiram direta e indiretamente o Brasil. É isso que vamos mostrar exatamente no primeiro episódio da nossa série: como essas eleições para o Capitólio, para o Congresso americano, podem colocar o poder do presidente à prova e por que elas importam para o Brasil”, diz o correspondente Nilson Klava.
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Eliane Cristina Cardoso, diretora-executiva da Coocacer: Nós estamos nos armazéns gerais da cooperativa, onde nós armazenamos todo o café do produtor e processamos ele também para exportação.Nilson Klava, repórter: Então, desse café todo que está aqui, quanto dele vai ser exportado, vai para fora do Brasil?Eliane Cristina: Olha, hoje, pela qualidade do que nós produzimos aqui, 70% desse café vai para exportação. Os Estados Unidos, hoje, individualmente, com cerca de 27 milhões de sacas aí no consumo, são o nosso principal consumidor.Repórter: Como impacta a produção aqui, a venda do café brasileiro quando vem uma notícia lá de longe sobre tarifas, por exemplo?Eliane Cristina: Olha, impacta muito, nós que estamos aqui na cooperativa e no produtor que está lá na fazenda.
“O agro brasileiro é extremamente afetado por qualquer soluço no mundo. A Bolsa de Nova York comanda o preço do café. Nós já estamos falando do exterior. Além disso, nós temos problemas de lei tarifária. Quando baixou o primeiro tarifaço do Trump, a nossa torcida para que o café ficasse fora tinha até corrente de oração”, conta a produtora de café Evanete Peres Domingues.
Não teve oração que desse jeito. Quando Trump apareceu no jardim da Casa Branca, em abril de 2025, lá estava o Brasil na tabela. No início, com 10% de tarifas. Depois, em julho, os 10% viraram 50%. O café só foi isento em novembro.
“Alguém que tem que se preocupar tanto quanto o produtor é o consumidor americano, que está lá fora, na hora de tomar a xícara de café. Até porque esse preço, essa taxação, é repassada para eles”, diz Eliane Cristina Cardoso, diretora-executiva da Coocacer.
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E não foi só beber um cafezinho que ficou mais caro nos Estados Unidos não. Os americanos estão sentindo no bolso os efeitos das tarifas e também da guerra no Irã. E esse é o principal tema no Capitólio - a sede do Congresso americano. Os governistas do Partido Republicano estão preocupados. Viram a insatisfação do eleitor aumentar junto com os preços. A popularidade do presidente americano, Donald Trump, está no menor nível desde o início do segundo mandato.
Agora, a oposição do Partido Democrata tenta alcançar a maioria na Câmara e no Senado e, assim, colocar freios no poder de Donald Trump. É isso que está em jogo nessas eleições de meio de mandato.
Quem conhece bem os corredores do poder em Washington é o Fernando Brigidi. Ele trabalhou por dois anos na Casa Branca, no gabinete da então vice-presidente Kamala Harris.
“A oposição ganhando a Câmara, ganhando o Senado, eles têm muito mais força de barrar, de enfraquecer a pauta legislativa do presidente. Eles têm o controle do Orçamento, que tem que ser discutido todo ano, e acabam usando isso como moeda de troca sobre outras pautas também. Tudo para pressionar e fiscalizar mais o governo”, afirma Fernando Brigidi, ex-funcionário da Casa Branca.
E os americanos não estão satisfeitos com o governo. A última pesquisa Reuters/Ipsos mostrou que 66% desaprovam a gestão Trump. O que, para o economista Maurício Moura, acendeu o sinal de alerta na Casa Branca.
“Esses números são muito ruins para ir para uma eleição de meio de mandato, porque ele é um presidente mais desaprovado do que aprovado”, diz Maurício Moura, economista e professor da Universidade George Washington.
Ao viajar pelos Estados Unidos, os números vão virando histórias, que nos próximos dias nós vamos contar no Jornal Nacional. Das ruas do Texas, às fazendas de Iowa, uma palavra é repetida: “affordability”. Para nós, custo de vida. Custo que explodiu junto com a guerra no Irã e que pode tirar de Trump a maioria na Câmara e também no Senado.
“Esse conflito no Irã vai contra tudo que o Trump pregou durante os dez anos em que ele apareceu na política. Não só ele disse que não se envolveria em conflitos internacionais como iria tirar os Estados Unidos das guerras, justamente com o Irã. E, obviamente, o conflito no Irã afeta a economia também, afeta os preços, e as pessoas sentem isso”, afirma Maurício Moura.
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Tarifas, guerra. Donald Trump fez tudo isso sem consultar o Congresso. E o que tudo isso tem a ver com o Brasil? Trump decide atacar o Irã. Os iranianos revidam fechando o Estreito de Ormuz. O preço do petróleo dispara, e abastecer fica mais caro nos Estados Unidos e no mundo todo. Assim, uma decisão tomada lá longe acaba impactando o café produzido no Cerrado Mineiro.
“Tudo que acontece no mundo envolve café. Por exemplo, a guerra da Ucrânia nos afetou tremendamente por conta dos fertilizantes. E, agora, a guerra no Irã com combustível. Fica mais caro, tanto o frete quanto o diesel que nós usamos. Eu uso aqui 3 mil litros de diesel em 13 dias. Então, isso faz diferença, muda seu custo absurdamente”, conta Evanete Peres Domingues.
Do Oriente Médio ao Brasil, esse é o alcance das decisões tomadas nos Estados Unidos. E é por isso que as eleições para o Congresso americano são tão importantes. Elas vão colocar o poder de Donald Trump à prova.
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