Grupo fez live agredindo e roubando engenheiro que se afastou de ato pró-Lula
O grupo que agrediu e roubou o engenheiro ambiental e mestrando Marcelo de Oliveira Rocha, de 30 anos, fez uma transmissão ao vivo durante o crime em Santos, no litoral de São Paulo. A Polícia Civil busca identificar os envolvidos, além de esclarecer a dinâmica e motivação dos fatos.
A vítima teve a morte cerebral confirmada pela família no domingo (25), quando foi transferida da Santa Casa de Santos para o Hospital São Paulo, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Segundo o pai dele, Marcelo Rodrigues da Rocha, faltava um exame para confirmar a irreversibilidade do quadro, cujo resultado saiu por volta das 17h desta segunda-feira (26).
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Marcelo participava de uma apresentação da Banda Esquerdantina, em apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), na madrugada deste sábado (24). Ele se afastou do evento para ir ao banheiro, quando foi abordado por ao menos sete homens.
Grupo fez live agredindo e roubando engenheiro que se afastou de ato pró-Lula em Santos, SP
Reprodução
As imagens gravadas pelos próprios criminosos estavam sendo vistas ao vivo por dezenas de pessoas no TikTok. Nelas, é possível escutar Marcelo sendo abordado.
"É o seguinte, parceiro. Só manda o telefone para nós não te matar. Ae, Ticório. Fala para ele como que é o passinho. Só não deixa ele correr. Dá o telefone, vai. Vai, maluco. Está vendo a tropa, né? A tropa vai te pegar", disse um dos suspeitos.
Quem era o engenheiro que participava de ato pró-Lula
Unifesp emite nota de repúdio e pede apuração sobre agressão
Marcelo de Oliveira Rocha, de 30 anos, foi abordado por ao menos sete homens em Santos, SP
Reprodução/Instagram
Ainda nas imagens, é possível escutar Marcelo dizendo: "Não, espera aí". Logo em seguida, ele leva um soco, cai no chão e tem os pertences roubados. Quando o grupo percebe que o engenheiro estava desacordado, um dos criminosos afirmou: "Vish, nossa. Dormiu, louco".
No vídeo, outras pessoas também falam com o criminoso. Elas participavam da transmissão ao vivo, dividindo a tela com ele. O g1 entrou em contato com a plataforma de vídeos, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem.
Polícia investiga
A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) informou que o caso é investigado pelo 4º Distrito Policial (DP) de Santos.
"Equipes da unidade analisam as imagens divulgadas e trabalham em busca de câmeras de monitoramento e outros elementos que auxiliem na identificação e prisão dos autores, bem como no esclarecimento dos fatos", afirmou a SSP-SP.
O caso
Marcelo de Oliveira Rocha, de 30 anos, foi espancado após se afastar de um ato político em Santos, SP
g1 Santos e Reprodução/Instagram
A SSP-SP disse que, de acordo com o boletim de ocorrência, "a vítima foi agredida por diversos indivíduos e teve o celular e outros pertences roubados".
Segundo testemunhas ouvidas pelo g1, os amigos estranharam a demora no banheiro e começaram a procurá-lo. Ainda de acordo com os relatos, o engenheiro foi encontrado desacordado na esquina da Avenida Conselheiro Nébias com a Rua Henrique Ablas.
A Prefeitura de Santos informou que o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionado e encaminhou Marcelo à Santa Casa de Santos, onde ele ficou internado.
A Polícia Militar também foi acionada, mas a vítima já havia sido socorrida quando os agentes chegaram ao local.
Repúdio
Marcelo de Oliveira Rocha, de 30 anos, foi espancado após se afastar de um ato político em Santos, SP
Reprodução/Instagram
Por meio de nota, a Esquerdantina confirmou ao g1 que Marcelo foi agredido e deixado inconsciente no local, onde foi socorrido. O grupo afirmou que exige "a rápida apuração e consequente punição aos responsáveis".
Embora a motivação da agressão ainda não tenha sido esclarecida, a Esquerdantina também manifestou repúdio à homofobia.
"Manifestamos nossa solidariedade à vítima e seus familiares, bem como nosso firme repúdio à homofobia, alertando para os riscos que todos corremos ao naturalizar, proteger ou promover o ódio como método de intimidação política", ressaltou.
VÍDEOS: g1 em 1 minuto Santos


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