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Maringá campeão da Série C: seis pontos fundamentais para a conquista do título inédito

25/10/2026

Maringá campeão da Série C: seis pontos fundamentais para a conquista do título inédito

O Maringá conquistou o título inédito da Série C do Campeonato Brasileiro e fechou a temporada com a maior conquista nos 16 anos de história do clube. A campanha teve momentos de oscilação, uma mudança no comando técnico na reta final e uma arrancada que levou o Dogão ao acesso à Série B e, depois, à taça nacional.

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A conquista é resultado de uma combinação de fatores: a solução encontrada dentro do próprio clube, o ajuste defensivo, o protagonismo de Ronald Camarão e a força como visitante foram alguns dos pilares da campanha.

Além disso, a confiança nas principais peças do elenco e a evolução de um projeto que ganhou espaço no cenário nacional ajudam a explicar o novo capítulo da história do Maringá.

Confira seis pontos fundamentais para a conquista do título da Série C:

1. Troca no comando em hora decisiva e aposta caseira

A mudança no comando técnico foi um dos pontos de virada da temporada do Maringá. Com dificuldades para engrenar na primeira fase da Série C, o time chegou às três rodadas finais fora da zona de classificação. Com isso, a diretoria decidiu pela demissão de Moisés Egert, efetivando Ivan Campanari, auxiliar fixo da comissão técnica.

A escolha por uma solução caseira foi decisiva. Campanari conhecia bem o elenco, a rotina do clube e as características de jogo que deram certo nos últimos anos.

Ele havia chegado ao Maringá em 2023, como treinador do sub-15. Deepois passou a ser auxiliar de Jorge Castilho até 2025. Voltou ao clube na atual temporada, na função de auxiliar fixo, e recebeu a primeira oportunidade como treinador principal.

Com Campanari, o Maringá empatou com o Confiança e venceu Barra e Paysandu nas últimas rodadas da primeira fase, garantindo a vaga na fase decisiva na quarta posição. Mais do que os resultados, o treinador conseguiu recuperar a confiança do grupo, reorganizar a equipe e resgatar características importantes da identidade de jogo do Maringá.

A arrancada continuou no quadrangular, com atuações sólidas e decisivas. A equipe garantiu o acesso em um grupo com Santa Cruz, Botafogo-PB e Floresta, chegou à final e agora levou a taça inédita. Resultados que transformam a efetivação de Campanari em um dos principais acertos do clube da temporada.

2. Ajuste da defesa na reta final

O crescimento do Maringá com Campanari também passou pela capacidade de encontrar equilíbrio defensivo no momento decisivo. O time fechou a primeira fase com a defesa mais vazada da competição, levando 30 gols em 19 jogos.

No quadrangular, o Dogão conseguiu ajustar o setor e levou apenas dois gols em seis jogos, alcançando assim a melhor defesa na segunda fase.

Na decisão contra a Ferroviária, a solidez defensiva voltou a ter peso. Ainda que levando o gol de empate nos acréscimos, no jogo de ida, o Maringá conseguiu segurar a pressão do time paulista na partida de volta, garantindo assim o título.

3. Brilho de Ronald Camarão

Se teve um protagonista na reta final, ele foi o atacante Ronald Camarão. Ele fez o gol da vitória sobre o Floresta, no começo do quadrangular, e depois brilhou balançando a rede nos três jogos decisivos.

No jogo do acesso, Ronald Camarão abriu o placar com um golaço, em uma bomba de fora que parou no ângulo, na vitória por 2 a 0 sobre o Floresta.

Na final, contra a Ferroviária, o atacante voltou a brilhar e fez mais um golaço, novamente com um chutaço de fora, abrindo o placar no empate por 1 a 1, no Wilie Davids. Na partida de volta, ele apareceu de novo e fez o gol do título, o segundo no 2 a 1 na Fonte Luminosa.

Contratado no início da temporada, Ronald Camarão fechou como artiheiro do Maringá na Série C, com sete gols, e somou 10 gols ao todo em 2025, ficando um atrás de Caíque Calito.

4. Força como visitante

O Maringá também construiu a conquista com resultados longe de casa nesta reta final. Com Ivan Campanari no comando, a equipe não perdeu como visitante e acumulou 10 partidas de invencibilidade fora de casa, com quatro vitórias e seis empates neste período. Somando todo o ano, o Dogão só perdeu duas vezes longe do Willie Davids, contando Série C, Copa do Brasil e Paranaense.

Foi fora de casa que o Maringá conseguiu a classificação ao quadrangular decisivo, vencendo o Paysandu, por 1 a 0, no Mangueirão, em confronto direto pelo G8. Agora, na final, mostrou mais uma vez a força como visitante, derrotando a Ferroviária, por 2 a 1, na Fonte Luminosa.

5. Pilares no elenco e confiança no grupo

A conquista também teve a participação de jogadores identificados com a trajetória recente do clube. O zagueiro Ronald (que voltou de empréstimo ao Ceará, em julho), o volante Lucas Bonifácio e o atacante Negueba estiveram entre os nomes importantes de um elenco que precisou atravessar momentos de instabilidade para chegar ao título.

Essas peças deram sustentação ao trabalho de Campanari, que os conhecia bem já de anos anteriores. Além do papel fora de campo, eles tiveram peso importante também dentro de campo, chamando muitas vezes a responsabilidade. Ronald deu sustentação na defesa, Bonifácio ajudou a arrumar o meio-campo, e Negueba foi decisivo em vários momentos da campanha.

Além disso, a diretoria manteve a confiança no elenco, mesmo diante das oscilações no Campeonato Paranaense, quando brigou contra o rebaixamento, e na Série C. As soluções foram encontradas praticamente dentro do próprio grupo montado na temporada.

6. Consolidação do projeto

Fundado em 2010, o Maringá tem na conquista da Série C o maior título de sua história. A taça representa o ponto mais alto de um processo de crescimento que ganhou força nos últimos anos.

Em 16 anos, o clube conquistou troféus em divisões inferiores do Campeonato Paranaense e na Taça FPF, mas ainda buscava uma conquista de expressão. Em 2022, estava sem divisão no Brasileiro. Quatro anos depois, chega à Série B com um título nacional inédito.

Nesse caminho, o Dogão ganhou protagonismo no futebol paranaense, com três vice-campeonatos estaduais nas últimas cinco edições, e acumulou participações relevantes na Copa do Brasil, incluindo uma vitória sobre o Flamengo.

A chegada à Série C, o acesso à Série B e, agora, a conquista nacional mostram a dimensão do salto dado pelo clube. A próxima temporada, porém, trará desafios maiores: a segunda divisão oferece mais visibilidade, mas também exige maior capacidade de investimento e planejamento.

O título reforça a importância da organização fora de campo e da continuidade do trabalho. A campanha não foi construída apenas pela arrancada na reta final, mas também pela capacidade do clube de corrigir a rota e encontrar respostas nos momentos decisivos.

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